quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Pra 2010

Que 2010 leve aos quatro ventos,
um pouco mais de doce.
De amargo já basta o mate,
bem quente, de assar as línguas.
De amargo já chega os chocolates,
que fazem a gente ter vontade de não comer chocolate.
Aquele amargor na garganta,
de um lanche mal resolvido nas tripas.
Aquele azedume no ar
de um cocô que a gente nem sabe como saiu.
Chega!
Que venham os doces,
as cores,
os carinhos,
os amores...

que venham os doces
e levem os amargos
pro lado de lá
da ponte que partiu!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Sem Modos



Marcela y Mescalina (2009)

terça-feira, 23 de junho de 2009

Pra lembrar do nosso pedaço


Selo p/ Projeto Cultural - Casarões (Arroio Grande, 2008)

terça-feira, 16 de junho de 2009

tipo Quintana, só tipo...

Um dia desses eu sonhei
que não sabia mais dormir
ficava sempre ali deitado
não tinha mesmo aonde ir...

Ah, o silêncio

ah, o silêncio
a essência e excelência do universo
o primo, o uno,
o embrião de cada verso
e que antecede toda e qualquer ventania

ah, o silêncio
o sepulcro e o ventre de tudo
o grande guardião do mundo
e por todo sempre uma sina
porém, eis de admitir
muito ainda às de ouvir
os trovões da imensidão

de dentro dessa alma torta
que aos prantos tanto se conforta
se por muito ainda cala a voz
já não mais cala o coração.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Era uma vez um Festival... Capítulo Final

Pois é, a história não termina de forma tão melancólica, com uma quase apresentação. Pelo menos não pra mim. Por culpa do Cassiano, grande parceiro do concurso anterior, acabei tendo uma canção minha na disputa do Festival, muito bem defendida por ele e outros colegas (nem vou citar os nomes pra não esquecer de ninguém). Na verdade, essa era uma das opções que tinhamos pra ser a nossa música, mas acabou descartada por não ter o, digamos, "estilo" que os guris queriam. Mas, enfim, a era dos Festivais chegava ao fim com uma parceria que ainda renderia um outro caldo ainda mais...esquisito. Mas esse eu conto outra hora. O interessante em tudo isso, é que o tempo vai passando, as lembranças vão ficando mais gastas, mas sempre estão lá, presentes, firmes, como que dizendo: hei, eu aconteci mesmo, tô aqui! Fiz questão de contar toda essa história pois esses eventos são pontos de partida de uma série outros momentos muito importantes pra esse escrevente aqui. Foi por e para esses Festivais que comecei a escrever, a buscar leituras legais, a curtir poesia, a expressar o que eu sentia e o que eu pensava em letrinhas. Este blog surgiu dai, muitas coisas que estão aqui são desse período. Sem contar das amizades pra vida toda que começaram, um amor infinito que surgiu, e que por um longo tempo me acompanhou, alimentou e ainda alimenta muitos dos versos daqui - até virar saudade e mais uma grande amizade.
Tudo isso nesse tempo, e tudo isso ao mesmo tempo!
Bons momentos! Guardo com carinho cada pedacinho de lá: dos meus anos incríveis!
"All i need is my buddies
(try with a little help from my friends)"

A canção do labirinto
Matheus & Cassiano
Festival Aimone 2002

Pelas montanhas
tão solitárias
eu atravessei...
pelas encostas
dos labirintos
eu pude encontrar...
minhas respostas
dos meus dilemas
somos como o espelho do mar
refletindo a vida
retratando o ser
sobrevivendo
e tentando esquecer
de que tudo o que passou
era o que eu tinha pra deixar
longe é o meu caminho
sozinho
não me importa onde vai dar

quero a voz das estrelas
me dizendo o que fazer agora
quero acabar com a fome
que se alimenta do nosso sofrer
mais uma vez eu imploro
não me abandones não me faça querer
acabar o que resta
de tudo ainda por viver

Desde sempre viria a saber
mas custava a acreditar
qual é o caminho
que me faz perceber
qual é a virtude
que preciso pra voltar
de tempos em tempos
a vingança é a lei
procuro o silêncio escutar
segue frio
eu parti
se parti
não vou voltar
descansei
me perdi
só queria
enxergar...

quanto tempo
quantas horas
meu tormento
sossegou
passo à frente
da tristeza
e vejo que tudo acabou
aqui...

Era uma vez um Festival... parte II

Depois de um começo relativamente bem-sucedido no meio musical (chegamos a ter nossa música como a segunda mais votada pelo júri popular!!!!), o Ensino Médio chegava ao seu derradeiro capítulo e nada melhor que uma reprise dos intensos meses dedicados a produzir música do ano anterior, para encerrar-mos esse ciclo de descobertas, parcerias e conhecimento.
Começamos a "trabalhar" pro Festival ainda no começo do ano, e sonhando alto. Queriamos fazer algo com relativa qualidade, trocando o voz-violão por baixo-guitarra-bateria:  uma autêntica Rockband (com direito a guitarras solo e base).
Dividindo as tarefas, fiquei eu novamente encarregado das letras, o sobrinho Ádamo - nosso capitão e grande mobilizador da gurizada - habilmente formava nossa segunda parceria cancioneira, que tinha o Willer na guitarra (um músico espetacular, pra ser justo), o Maurício no baixo e o Hélio nas baquetas, além do próprio Ádamo na guitarra base. Faltava-nos os vocais, e, por absoluta falta de opções, acabei ficando eu mesmo com a bucha (mas por sorte dos ouvintes não cheguei a passar essa vergonha).
Por uma série de imprevistos mesmo com a música pronta não nos apresentamos. Nosso Festival foi intensamente vivido por quase seis meses de ensaios, reuniões, tentativas, idas e vindas... mas ficou apenas o registro e a lembrança do dia em que a gente quase foi uma banda.

Entre a Cruz e a espada
de Ádamo, Willer e Matheus
Festival Aimone em Canto 2002

Tudo começou quando eu a vi
tirou o sentido
no abismo cai
e gritava assim
sussurrando pra mim
"eu sou o que eras
o principio e o fim
guarda o que tens
pega tua coroa
teus tesouros
e vem
vem e vê
não é direito não
todos os teus feitos
não valem mais
vem e vê
não tens mais tempo então
corre pra longe daqui
As tuas leis forjando reis
e condenando os que lutam sem ninguém
tua riqueza é a maldição
só tens a glória
e a ilusão
de que tudo é teu
mas o mundo sou eu
e de mim
só tens traição

Entre a cruz e a espada
te coroaram senhor
teus castelos já ruiram
não tenhas medo
nem amor"

Sou um rei sem coroa
o meu ouro acabou
eu perdi, não tive escolha
foi tudo o que sobrou

Entre a cruz e a espada
há uma certeza de ter
pra sempre um caminho
que me leve
pra longe, longe
longe da dor...

Se a cruz é meu destino
a espada é um caminho
pra viver.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Tempo

Sem muito tempo...
falta tempo
enquanto penso
ainda há tempo
pra lembrar
que já faz tanto tempo
que esse tempo
não para de faltar

Cuba Libre saindo do forno


2009

sábado, 11 de abril de 2009

Imagens Reais de Um Olho Torto


Detalhe do "Grande Hotel" (Pelotas, 2007)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Os Retratos de Abigail

Se ontem pareciam com retratos
hoje podem parecer pedaços de papel
os que ontem eram perdidos
podem até aparecer de novo,
derrepentemente
aos poucos todos caiam de calçada em calçada
infestando as estradas de raiva
porque raiva?...
porque eram pedaços de pedaços
insolentes, voadores e pequenos em si
os caminhos separam-se ali, no trevo
encruzilhados,
em cruz, ilhados
desfeitos, não lembrados
sem destino, assolados
atrevidos, recortados
não pedaço, sim retratos
retratos de Abigail
abriga ilhas, rios
desertos,
de certo,
sonho, sonhado,
pesadelo, pesado
frio, fogo, fosse feito
feito força, feito fino
volta burro, inteiro que fosse
burro por pensar
Retratos do passado,
passa outro
passa um só,
não passado
retrato futuro,
sem fumo, fome, febre, foda, fúria
nada de futuro, nada de retrato
são só pedaços de papel!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Imagens Reais de um Olho Torto


Algum lugar no Porto(Pelotas, 2007)

Show de Entrevero


Peça Gráfica criada para o evento de mesmo nome (2008)

Não me leva à mal...era Carnaval

Ao nosso velho Trago de guerra...

O TRAGO E A LUA

Madruguei,
provei desse sereno com limão
já tomei
com gelo e Gim a minha decisão
Grande lua,
companheira dessas horas de dilema
eu te dou um trago
se no embalo me afogares num "capeta"

Não adianta mais tentar me esquecer
se esconder nessa altura sem igual
já tomei minha Tequila de virada
pra te alcançar
antes do fim do carnaval

pra que tanto desperdicio de energia
esse monte de luzinha á piscar
uma dose de Abcinto com cereja
ilumina todo dia sem parar

Já fiquei atrapalhado com as palavras,
Dona Lua vem e diz a tradução
Rei Rou, Létis Gol quer dizer o quê?
será que aquele "Etílico"
não era de beber?

Rei Rou, Létis Gol
Rei Rou, Létis Gol
Rei Rou, Létis Gol
não sei se ele vem
só sei que eu vou

ô dona Lua
chamei o Rou
pra decer essa gelada com a gente
tu tá contente?! eu também tô
vem que eu vou, eu vou, eu vou

eu vou pra terapia
eu vou botar pra fora
caipira água-benta
de meia em meia hora

chama o Rou...

Rei Rou, Létis Gol
Rei Rou, Létis Gol
Rei Rou, Létis Gol
não sei se ele vem
só sei que eu vou

sábado, 21 de março de 2009

Era uma vez um Festival...

Acontecimento marcante da adolescência de todos que participaram, os Festivais de música do Aimone (ou Ginásio pros mais experientes) mexiam com os sonhos da gurizada durante todo o ano, tornando-se de certa forma, responsável pelo surgimento de muita gente boa no sempre pujante cenário musical de Arroio.
Ainda começava o ano letivo de 2001 quando anunciaram o Festival. Em seguidinha o meu "sobrinho" Adamo, e seu característico espírito de organização, me incumbiu de participar-mos do dito-cujo: ele como intérprete (embora ainda um dedicado aluno do mestre Sidney), eu como compositor (embora meus parcos dotes musicais). Convidamos o Cassiano, talentoso e musicalmente mais experiente, pra completar nossa parceria cancioneira, mergulhando á partir de então em versos, melodias, harmonias, compassos e o diabo á quatro. Aguns meses e muitas idas e vindas depois, estavamos todos lá - era 3 de novembro de 2001, uma noite de primavera no Clube do Comércio. A primeira vez de muitos de nós.

Anjos ou Demônios: A verdade não tem Dono!O dia do Juízo Final!
de Ádamo, Cassiano & Matheus

Doce Menina
ali parada na esquina
esperando o tempo passar
não vê que já passou das dez
é hora de ir para casa
é hora de rezar

ela não entende
se surpreende com aquilo que vê
pensa que esta indo para o céu
pro paraízo, pro caminho da luz
carregada por anjos divinais
mas a pobre não sabia
que anjos tinham chifres
e fediam demais
algo de errado havia
não queria acreditar
duas portas duas escadas
desciam sem parar

Deus não teria apostado
que o homem viveria em paz
o Demônio desgraçado
ganhou a aposta e algo mais

"para baixo eu não vou
o Céu é para todos
Anjos ou Demônios
a verdade não tem dono...

quem virá
me levar
se eu tiver
precisar
eu vou só
eu vou só
eu vou só
eu tenho asas pra quê?"

Dedicada ao sobrinho Ádamo, saudosista e parceria de sempre.
Valeu gordito!
Abração do Tio!!!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Imagens reais de um olho torto

Necessidade ou Escravidão? (Pelotas, 2007)

O Brado retumbante do povo do Brasil

Vamos todos aprender
o hino nacional
vamos todos entoar
todas as nossas diferenças
se somos todos um
pra que tantas injustiças?
o nosso berço é tão grande
gigante, impávido e colosso

Somos verdes ou amarelos?
vivemos em redes ou em castelos?
sonhamos acordados ou gritamos enjaulados?
gememos por prazer ou berramos por querer?
chega de tantas lágrimas
vamos nos orgulhar da nossa gente
dos mendigos e descamizados
dos amigos, dos empregados
de todos que trabalham sem parar
da nossa vida
da nossa vida, insana!
da nossa vida
da nossa vida, insana!

Com os pés descalsos caminhamos
em frente, não somos tão estranhos
contente a gente não se sente
diferente de muitos que aqui passam
(todos juntos)
deixemos nossas casas entre-abertas
a todos que delas quiserem se servir
olhe ao alto, cante firme
"de um povo heróico o brado retumbante"
surgil em terra firme nosso semblante
cantemos com orgulho
somos o povo do Brasil...

Tributo a Zor...

Folder p/ Sarau "Tributo a Zor" (2008)

quinta-feira, 19 de março de 2009

Bombas de Hidrogênio

Já perpetuada foi a cura
na insanidade da loucura
que culpa tem o vento
soprando seu alento
marcando a fissura
das bombas de hidrogênio

Do velho oxigenio
pro seu melhor governo
não há castigo sem culpa

Apalpa as vergonhas
liquida com os medos
espalha os segredos
das bombas de hidrogênio

Só penso no futuro
tão denso é esse escuro
na gente tem um furo
o melhor é o esquecimento

Esconde esses planos
e os panos que te escondem
foi tudo decidido
silêncio nos abrigos
foram as bombas de hidrogênio

Imagens reais de um olho torto

O Grande Hotel (Pelotas, 2007)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Enquanto existo
ainda insisto
em me copiar


Me copio
me reinvento
me reconheço
quase me devoro
a minha sanha
a minha sina
a minha estima
quase me absorvo
não tenho rosto
não tenho gosto
não sinto cheiro

Enquanto existo
ainda insisto
em me copiar


A minha senha
a minha manha
meus pesadelos
o meu corpo inteiro
os meus encalços
meus pés nunca descalços

eu me invento
eu me inverto
eu me recordo
eu me desperto

Enquanto existo
ainda insisto
em me copiar