sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Pra salvar a nossa pele de 2012

Chega de egoísmo
egocentrismo
egocinismo
egoputaquepariuismo

A gente nasce sozinho
cresce sozinho
morre sozinho
mas não vive sozinho

que todos nós
sozinhos, ou não
mudemos o mundo
pensando nos outros

Pra que os outros
pensem na gente
e a gente pense nos outros
e assim, quem sabe
a gente se salve
no ano que vem


Saúde e Sucesso!
Que 2011 traga a todos nós tudo o que o ano que passou esqueceu de dar.
Gracias a todos que acompanharam esse pedaço do espaço.
Valeu gurizada!!!!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Volta Logo

Volta logo
E toma conta de mim
Diz que já é o fim
Das coisas chatas da vida

Volta logo
E me deixa nos braços
Só nessa manhã
É hora de novo de ser
Estrela, espaço e divã

Eu sei, falta pouco
Mas volta logo
Eu sei, não é longe
Mas volta logo

Chove forte ali na frente
Mas contigo
No teu abrigo
Faz sempre domingo
De sol e céu azul

Então, pensei,
Volta logo
E diz que agora
É só a gente

Volta logo
Me abraça
E acha graça
Do meu jeito

Não me deixa aqui
Sozinho muito tempo
Volta logo
E toma conta de mim

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Um dia desses, organizando minhas gavetas, achei esses versos num caderno que nem lembrava mais que existia. Eles foram escritos ha uns seis ou sete anos atráz, e ao contrário de outros colegas de folha, acabaram ficando escondidos ali um tempão. Quando reli esse poema lembrei exatamente quando, onde e porque ele foi escrito, só não sei por qual motivo não teve o mesmo destino dos outros, ou seja, uma cartinha à quem se destinava. Considero esses versos um dos mais verdadeiros e sinceros que já consegui fazer até hoje, assim como refletem um período muito importante pra este escriba, por isso compartilho agora com vocês.

Um Bom Natal a todos!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Teu mapa na ponta dos dedos

Na ponta dos dedos
o mapa das delícias
da pele macia
o mapa das linhas
das curvas
do couro

Conheço os caminhos
até de olhos fechados
cada textura
cada roteiro
com a ponta dos dedos
te desenho no ar
te rabisco em mim

As marcas
não mudam de lugar
a minha trilha
descobriu caminhos
quando andava contigo
encontrando um tesouro

Um par de castanhos
me olhavam de cima
enquanto fazia
os meus entornos
ambos chegamos
no ponto
no fim
no meio
do não
e do sim

As trilhas se foram
os portais se trancaram
por dentro

Fiquei à pé
mas sei aonde ficam
os desejos e os medos

Cada detalhe
cada esquina
todas as retas
todas as vias
algo se gastou
mas não apagou
o mapa
da ponta dos dedos

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Poema Desenhado


domingo, 28 de novembro de 2010

Filosofiador Pensativo

Não preciso de ninguém que me diga o que pensar
Preciso é de alguém que me peça pra parar
Por que pensar demais cansa
Acaba emburrecendo a gente

De tanto trabalhar,
os neurônios fazem greve

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Invisibilidade

Mesmo sendo invisível pra quase tudo
Percebo o tudo que acontece ao meu redor

domingo, 21 de novembro de 2010

Bens

"La Chambre Meilleur" - Vincent Van Gogh

Ele buscava seus bens! - Que bens são esses? - perguntava uma sombra inquieta, escurecendo um dos lados do rosto do sujeito pequeno, franzino, melancólico. Naquela altura ele percebia que tinha encolhido, se sentia com pouco mais de um metro e vinte, por aí. O mundo, e os desafios que tinha pela frente, pareciam verdadeiros gigantes, titãs colossais indestrutíveis, intransponíveis, amedrontadores.
- Mas que merda! - repetia pra si uma centena de vezes.
- Bom, mas voltando aos bens... o que realmente tu considera por bens? Saúde, paz, alegria, sucesso? É tipo isso??? - era a sombra, cada vez mais inquieta.
- Também! - respondeu, meio incomodado com o surrealismo daquele diálogo.
- Tá. Com esse "também" ai quer dizer que tens outros tipos de bens. O que seria exatamente?
- Outros tipos, ora.
- Tu não é de falar muito né?
- Não. Menos ainda com uma sombra! Assinei meu atestado de insanidade plena. -
dizia ele, já transtornado com a situação.
- Meu, pensa no seguinte: se eu não estivesse aqui, falando contigo, provavelmente tu estarias sentado num canto qualquer, pensando em besteira, choramingando feito besta... eu tô aqui pra te ouvir, pra te dar uma força. Conta ai, o que tens procurado tanto? - silêncio. Quase nem a respiração se ouvia.
Alguns minutos depois: - Queria tantas coisas diferentes. Queria sentir menos medo e mais esperança. Menos dor e mais prazer. Menos tristeza e mais alegria. Menos tantas coisas, e mais tantas outras... que merda! - soltou um suspiro de cansaço.
- Humm, é isso então. Os bens que procuras são as coisas que tu querias, mas não tens.
Cara, tenho que te dizer: a vida é assim mesmo, meu camarada. Todo mundo tem algum querer que só quer.
- É, mas eu tenho vários!!!!! -
esbraveja, meio debochado.
- Pois é, mas pensa: o que tu podes fazer pra deixar de querer e passar a ter? -
silêncio de novo. Ele até então não havia pensado nisso. Tinha se concentrado tanto em entender as dores que sentia que não pensou em como combatê-las.
- Ficou sem resposta né? Eu imaginei. Quem se afunda no oceano geralmente só pensa que vai morrer afogado ou comido, no bom sentido, por um tubarão. Mas sempre é possível nadar. Talvez seja muito fundo, muita corrente, muitos tubarões esfomeados, talvez nem nadar se saiba. Mas se não tentar, negô velho, ai nem se Moisés aparecer e partir o mar ao meio.
Tá, tudo bem, o exemplo de Moisés foi tosco, mas tu entendeu né?
- Entendi, entendi tanto que agora sim tenho a certeza que enlouqueci de vez.
- Hehehe. Normal. Já acostumei. Mas se te deixa feliz, até o Van Gogh conversava com as sombras!
- Bah, isso me deixa muito feliz mesmo, visto que o Vanh Gogh cortou a própria orelha com um canivete antes de ser internado num sanatório e se suicidar. Bem legal.
- Humm.. é... hamm... tá, esquece isso. O que importa é que tu entendeu. E tem outro caso também... -
antes que a conversa prosseguice ele estica o braço e apaga a luz. Fim de papo, já é tarde. Duas e pouco talvez? Hora dos sonhos. Hora de buscar os bens da única forma que havia conseguido: dormindo.
No sono a voz adocicada que ouvia não era de nenhuma sombra destrambelhada tagarelando conselhos malucos.
No sono ele ouvia Ela. Calma. Tranquila.
Não só ouvia como via, como um anjinho, só que com asas de borboleta.
Sorrindo, dava um beijo na testa e dizia bem baixinho - Calma, cara! Vai ficar tudo bem!!!!

E ele, nesse exato instante, encontrava os benditos bens.

sábado, 20 de novembro de 2010

Os repiniques repicam no horizonte

Dedico esse post a uma das grandes paixões deste blogueiro: o entrudo, a festa de ísis, o culto a Bacco, os festejos de Momo, ou simplesmente o Carnaval. Escolho precisamente esse momento, um final de novembro, pois cairam nos meus ouvidos as versões "oficiais" dos Sambas Enredo lá do Grupo Especial do RJ para 2011. Como pra muita gente isso representa o ponta-pé inicial do próximo carnaval, faço questão de dividir com os amigos que por aqui passam uma provinha desse material, com algumas considerações deste vivente que vos escreve.
Pra quem gosta de samba, A hora é essa!!!



O disco, assim como no ano passado, foi gravado num estilo ao vivo, com as próprias comunidades das escolas fazendo o coro das músicas. A novidade ficou nos finais de cada faixa, quando cada intérprete anuncia o próximo parceiro (no finzinho do samba da Beija-Flor, Neguinho diz "Alô Tinga, solta o bixo", por exemplo).
Eis os dito cujos:

01 - Tijuca - "Esta Noite Levarei sua Alma" Por - Bruno Ribas
"É o boom! Quem não viu? A casa caiu /Com a bomba na mão o vilão explodiu /O plano de fuga é jogo de cena /"Um deus nos acuda"... Agita o cinema/"
Ouvido nesse aqui!

02 - Grande Rio - "Y-Jurerê Mirim - A Encantadora Ilha das Bruxas (Um conto de Cascaes)" Por - Wantuir
"Eu também sou carijó /É bendito o meu lugar /Rezei forte... nesse chão /Sai pra lá assombração / Já peguei meu patuá"

03 - Beija-Flor - "Roberto Carlos: a Simplicidade do Rei" - Por - Neguinho da BF
"Na fé com o meu Rei seguindo /Outra vez estou aqui vivendo esse momento lindo /De todas as Marias vêm as bênçãos lá do céu /Do samba faço oração, poema, emoção!"
Talvez o desfile mais esperado de 2011. O samba deve ser o mais tocado no período pré-carnaval e, certamente, ganhar destaque da tia Globeleza.

04 - Vila - "Mitos e Histórias Entrelaçados pelos Fios de Cabelo" - Por - Tinga
"Sansão, forte, se apaixonou /O corte enfim revelou Dalila /Trança a paixão, o nobre fiel /Às lágrimas viu Rapunzel mais linda"
Um enredo bem típico da Rosa Magalhães, só ela mesmo pra construir um desfile de 80 minutos, 6 alegorias, trocentas alas e tudo mais, falando de...cabelo!!! (rsrsrs)

05 - Sagueiro - "Salgueiro Apresenta: o Rio no Cinema" - Por - Quinho, Leonardo Bessa & Serginho do Porto
"Em um simples instante /Orfeu vence as dores em som dissonante /E as cordas do seu violão /Silenciam para o amanhecer"

06 - Mangueira - "O Filho Fiel, Sempre Mangueira" - Por - Luizito, Zé Paulo & Ciganerey
"Sonhei que "folhas secas" cobriam meu chão /Pra delírio dessa multidão /Impossível não emocionar /Chorei... Ao voltar para minha raiz /Ao teu lado eu sou mais feliz /Pra sempre vou te amar"
Ouvido nesse também!!!

07 - Mocidade - "Parábola dos Divinos Semeadores" - Por - Nêgo
"Tá todo mundo aí? Levanta a mão /Quem é filho desse chão /Chegou a Mocidade, fazendo a alegria do povo /Meu coração vai disparar de novo"
Refrão levanta-arquibancada, deve sacudir o sambódromo. O verso "Meu coração vai disparar de novo" é uma referência ao samba do ano passado (Meu coração vai disparar, sair pela boca...)

08 - Imperatriz - "Imperatriz adverte: sambar faz bem à saúde!" - Por - Dominguinhos do Estácio
"Eu quero é Sambar! /A cura do corpo e da alma no samba está! /Sou Imperatriz, sou raiz e não posso negar /Se alguém me decifrar /É verde e branco meu DNA!"

09 - Portela - Rio, Azul da Cor do Mar - Por - Gilsinho
"Oi leva mar, oi leva /Leva a jangada numa nova direção /O porto centenário abriu seus braços /Na terra de São Sebastião"

10 - Porto da Pedra - "O Sonho sempre vem pra quem Sonhar..." - Por - Luizinho Andanças
"Um aprendiz de feiticeiro a formular o amor /E a princesa recebeu a flor /A fera foi pra outra dimensão"
Ouvido aqui! O enredo sobre Maria Clara Machado rendeu um ótimo samba.

11 - Ilha - "O Mistério da Vida" - Por - Ito Melodia
"Do alto surgiu diferente /Não sei se é bicho, não sei se é gente? /Somos frutos do mesmo lugar /A árvore da vida vamos preservar"
Super empolgado, só achei a letra fraquinha.

12 - São Clemente - "O Seu, o Meu, o Nosso Rio, Abençoado por Deus e Bonito por Natureza" - Por - Igor Sorriso
"Sou carioca e São Clemente /Irreverente, minha paixão /Meu Rio sua beleza /inspira o mar azul /Canta Zona Sul!"

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Aqui o link pra quem quiser baixar: http://www.4shared.com/dir/lCmF60Zn/CARNAVAL_RJ_2011.html
Bom proveito

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Conselheiro

Não deixa teus fantasmas te assombrarem
Não deixa tuas feridas inflamarem
Não deixa teu rosto secar

Não veste essa tristeza infinita
Não bebe dessa culpa maldita
Não tenta te aprisionar

Não pensa no cansaço
Não tenta mudar o passo
Não consome esse descaso
Não respira essa saudade

Não desfolha o mal-me-quer
Não destapa esse sofrer
Não derruba o bem-viver
Não espreme essa vontade

Só descansa,
por enquanto
só descansa

domingo, 7 de novembro de 2010

Quando Saturno Voltar

Quando Saturno voltar
e falta pouco
quem sabe tudo se acabe de vez
ou se renove
a roda rode e pare de parar
no imprevizível talvez

Quando Saturno voltar
tudo recomeça
sem pressa de apontar
a estrada mais segura
a cura do corpo
o fim do fim dos dias
no principio do mês

por três vezes Saturno passou
por três vezes Saturno voltou
por três meses a lua chorou

terça-feira, 2 de novembro de 2010

E já não era a hora?

Quase nunca escrevo em prosa por aqui, e menos ainda sobre política, mas não me contenho em compartilhar com todos que passam por esse Pedaço do Espaço uma sensação de "puxa, já era a hora!" que ficou em mim depois da eleição da Dilma no domingo.
Nem é a questão política, a afirmação de um governo popular e de uma sigla partidária, que me motivou a escrever aqui. Pra mim a grande vitória desse pleito democrático foi a consolidação da figura feminina, o rompimento, ainda que de maneira simbólica, dos padrões machistas e hipócritas da sociedade brasileira, que durante tantos anos engessou nossas opções de escolha em homem - branco - "dr". Independente de concordar ou não com suas idéias, não há como fechar os olhos pra esse fato: temos uma "Presidenta" em 2011, setenta e poucos anos após ser concedido o direito de voto às brasileiras (embora num primeiro momento apenas as casadas, e com a devida autorização do sr. marido, tivessem essa oportunidade). Mas tem mais: a dona Dilma ainda por cima tem toda essa ligação com os movimentos revolucionários contra a ditadura militar, foi presa, torturada, marcada na paleta como "terrorista", enfim, tudo aquilo que cansamos de ler e ouvir durante a campanha eleitoral. Mas que baita chute no saco dos generais e "simpatizantes" da ordem pelos tanques e pela mordaça. hein?! E nos machões? Nos pregadores da moral e dos bons costumes, que acham que lugar de mulher é esquentando a janta e pegando o chinelo pro maridão??? Que belo tiro de bazuca nessas instituições sociais e religiosas que insistem em discriminar as pessoas pelo gênero, pela cor, pela ideologia, pela orientação sexual e pelas idéias. Cheguei a ouvir e receber e-mails dizendo que a Dilma era gay...hehehe. Já pensou se o Michel Temer viesse à público e declarace que é homossexual? Uma mulher Presidente e um gay vice? Porra, cadê a virilidade, cadê os homens de bem, cadê a moral e os bons costumes???? rsrsrs. Brincadeira! Seria muita coisa pros nossos moralistas de cuecas. Vamos com uma facada por vez.
Antes que se perguntem eu já me atencipo: não, a Dilma não era a minha candidata preferida, achava a Marina mais "polida" pra exercer um cargo tão importante e com tantos desafios à enfrentar, além de ser contrário a muitas coisas ditas por ela (Dilma) e feitas pelo partido que representava, o que não me impediu de pensar: "puxa, já era a hora!"
Foi divulgado, desde as primeiras pesquisas de opinião que o voto masculino era, em grande maioria, pra candidaturas femininas, o que é absolutamente óbvio pra mim: por mais que diga-se que não, todo vivente prefere ser co-mandado por uma prenda cheirosa do que por um guasca fedido!
Por isso eu digo: mulheres, meninas, moças, gurias, com o perdão do trocadilho, vcs são foda!

Sorte ao Dilmão!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Um Calabouço Pintado de Cinza

Entre quatro paredes as coisas acontecem
sem as aberturas o escuro aquece
entre quatro paredes tudo se esquece
menos desse caos

Entre quatro paredes dessa pedra fria
entre quatro sementes dessa cor vazia
entre quatro serpentes vira covardia
todo dia vira noite e a noite é uma só

Entre quatro paredes o riso emudece
entre tantos iguais com nada se parece
entre novos meios os velhos se entristecem
entre quatro paredes só se come pó

Do lado de fora tudo é colorido
mas por dentro o som não é mais refletido
gemendo ao vento a solidão do seu abrigo
mesmo ferido ouve o corpo dizer
entre quatro paredes entre sem bater

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Iscrittura Libera!
E s c r e v e r l i b e r t a !!!!

sábado, 16 de outubro de 2010

Imagens Reais De Um Olho Torto

Um lugar onde a vida passa devagar
É feito pra gente pensar
Pra que a pressa?
(AG, 2010)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Sessenta e Seis

O cara da caverna escreveu desenhado
quanta coisa tinha pra se descobrir
o fogo, a roda, o pão, o poder e o pecado
mas tudo isso dava pra se resumir
no sessenta e seis
sessenta e seis
sessenta e seis
o número da cabala
e da begala do capeta
sessenta e seis
sessenta e seis
a vez dos eclipses
durante o alinhamento dos planetas
sessenta e seis
sessenta e seis
as crianças invisíveis
morrendo de fome e de tristeza
sessenta e seis
sessenta e seis
o mantra do acaso
diante das tantas incertezas
sessenta e seis
sessenta e seis
os contos proíbidos
as páginas rasgadas
sessenta e seis
sessenta e seis
as partes do coração partido
sem sal e sem graça

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Imagens Reais De Um Olho Torto


Contemplando As Margens brilhantes (AG, 2010)

domingo, 10 de outubro de 2010

Num Dia Dez

Mais uma vez vou espalhar sinceridade
todos os meios já me tem
pra escrever de saudade

Saudade é comida
é bebida
é som
e sentido

Saudade é o prato que a gente come quente
pára nas tripas de repente
parece querer voltar

Saudade é a água que se bebe pelo olho
é o igual tão diferente
e a constante a variar

Saudade é o som que sai do céu sem ser ouvido
um sussuro e um rugido
que não deixa descansar

Saudade é o nome que completa os sentidos
não pode nem ser traduzido
pois só é comprendido
por quem sabe o que é gostar

sábado, 9 de outubro de 2010

Num dia Nove

Um dia desses eu morri
e o que vi não era luz
já faz um tempo que parti
em dois
pedaços
iguais

De nada adiantou fingir
que era um pouco de nós
que precisava seguir
em frente
contente
a sós

Pois eu ainda descanso aqui
vagando entre os espaços
vazios
tão frios
dos teus lençóis

O dia esse que eu morri
quebrei
sumi
lembrei
de quando eu eramos nós

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Quando te espero

Enquanto gemem os ponteiros do relógio
tento inventar algo de novo pra fazer
de dentro desse esquecimento ilusório
pulsam cantares explicando o por que

Quando te vejo o tempo voa sem demora
quando te espero, é devagar pra não passar
Se te veria a chuva fria me açoita
Se te desejo é muito longe pra chegar

Aquele beijo, aquele jeito
aquele gesto, aquele sonho
eu só queria, amor, um dia
te ter por perto
te ter de novo

Se te veria a chuva fria me açoita
se te desejo é muito longe pra chegar
quando te vejo o tempo voa sem demora
quando te espero, é devagar pra não passar

Te ter de novo
te ter por perto
aquele beijo
aquele jeito
aquele gesto
eu só queria
amor
um dia...

Um dia

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Lá em cima

Uma hora eu me canso aqui de baixo
Desse vento e a garoa tão molhada
Nessa forma eu não mais me encaixo
Vou me embora morar pelas estrelas

Lá em cima parece ser mais quente
Ter muito mais espaço e menos gente
Dá pra dormir com sol e acordar contente
De repente cruzar o infinito
Agarrado no rabo dos cometas

Posso até cochilar em Saturno
Em Netuno ou numa estrela cadente
Em Vênus, Plutão ou Urano
Mas eu como bom Canceriano
Vou me embora pra lua,
Que é minha ascendente.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Um Carangueijo e uma Borboleta

surfando em minhas águas tranquilas
sentindo o leve sopro da brisa
me escondo nessa concha macia
quem sabe um dia
mas, quem sabe um dia
ah eu consiga remar

pra longe desse poço de sereno
que adormece o meu corpo
e o meu gosto
e o meu cheiro
nesse suave, suave, suave veneno

o que trazes em teus voos
com tuas asas coloridas
me desperta desse sono
me transformo em vida

sim, sim,
por dentro dessa concha tem recheio
tem sonhos, tem preguiça e vários medos
tem tédio, tem tesão e tiroteio
tem sede, confusão e travesseiro

mas não, não espera tanto assim
minhas pinças são tão curtas
minhas antenas meio birutas
já começo pelo fim

Não me pousa desse jeito
sou só um pobre carangueijo
invadindo teu jardim

Quem sabe um dia
ah, quem sabe um dia
eu não consiga voar

Quem sabe um dia
ah, quem sabe um dia
eu não te encontre no ar

domingo, 29 de agosto de 2010

Lembro bem

Tenho velhas novas pra contar
mas não sei direito por onde
posso começar
algumas, mesmo que tente
continuam grudadas na gente
de repente faço desgrudar
se encontro as estrelas ao longe
se tropeço nas pedras da rua
se apago as luzes da noite
se me aqueço num domingo de sol
se descubro os desenhos na lua
se caminho sem saber por onde vou
eu me lembro bem
quando eu te dava carinho
quando a gente cantava baixinho
"sou eu assim sem você"...
sim, eu me lembro bem
meu bem, eu me lembro tão bem
se me lembro
bem

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Perguntas

Tantos esquemas
tantos dilemas
e agora o que é que eu faço?
Tantas desculpas
tantas perguntas
diz ai o que é que eu faço!

Tantos abrigos
tantas lembranças
e eu aqui sem o teu abraço
Tantas partidas
tantas chegadas
e agora como é que eu faço?

Tantos segredos
tantos desejos
e agora eu me disfarço
de ombro amigo
pra estar contigo
mas eu preciso
é do meu pedaço

E dai, eu me pergunto
ou a quem souber dizer
o que é que eu faço?

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Ferida Ardida Que Não Cicatriza

Eu nunca achei que uma dor doída
fizesse ferida
que não cicatriza

Eu nunca achei que um sol de domingo
fosse ter espinhos
e não cicatriza

Do que adianta os meus tortos passos
sem o teu abraço
não sei caminhar

Em tudo o que passamos busco meu conforto
mas essa ferida...
só com os teus beijos
vai cicatrizar

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010



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