sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Um Carangueijo e uma Borboleta

surfando em minhas águas tranquilas
sentindo o leve sopro da brisa
me escondo nessa concha macia
quem sabe um dia
mas, quem sabe um dia
ah eu consiga remar

pra longe desse poço de sereno
que adormece o meu corpo
e o meu gosto
e o meu cheiro
nesse suave, suave, suave veneno

o que trazes em teus voos
com tuas asas coloridas
me desperta desse sono
me transformo em vida

sim, sim,
por dentro dessa concha tem recheio
tem sonhos, tem preguiça e vários medos
tem tédio, tem tesão e tiroteio
tem sede, confusão e travesseiro

mas não, não espera tanto assim
minhas pinças são tão curtas
minhas antenas meio birutas
já começo pelo fim

Não me pousa desse jeito
sou só um pobre carangueijo
invadindo teu jardim

Quem sabe um dia
ah, quem sabe um dia
eu não consiga voar

Quem sabe um dia
ah, quem sabe um dia
eu não te encontre no ar

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