sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Um Calabouço Pintado de Cinza

Entre quatro paredes as coisas acontecem
sem as aberturas o escuro aquece
entre quatro paredes tudo se esquece
menos desse caos

Entre quatro paredes dessa pedra fria
entre quatro sementes dessa cor vazia
entre quatro serpentes vira covardia
todo dia vira noite e a noite é uma só

Entre quatro paredes o riso emudece
entre tantos iguais com nada se parece
entre novos meios os velhos se entristecem
entre quatro paredes só se come pó

Do lado de fora tudo é colorido
mas por dentro o som não é mais refletido
gemendo ao vento a solidão do seu abrigo
mesmo ferido ouve o corpo dizer
entre quatro paredes entre sem bater

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Iscrittura Libera!
E s c r e v e r l i b e r t a !!!!

sábado, 16 de outubro de 2010

Imagens Reais De Um Olho Torto

Um lugar onde a vida passa devagar
É feito pra gente pensar
Pra que a pressa?
(AG, 2010)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Sessenta e Seis

O cara da caverna escreveu desenhado
quanta coisa tinha pra se descobrir
o fogo, a roda, o pão, o poder e o pecado
mas tudo isso dava pra se resumir
no sessenta e seis
sessenta e seis
sessenta e seis
o número da cabala
e da begala do capeta
sessenta e seis
sessenta e seis
a vez dos eclipses
durante o alinhamento dos planetas
sessenta e seis
sessenta e seis
as crianças invisíveis
morrendo de fome e de tristeza
sessenta e seis
sessenta e seis
o mantra do acaso
diante das tantas incertezas
sessenta e seis
sessenta e seis
os contos proíbidos
as páginas rasgadas
sessenta e seis
sessenta e seis
as partes do coração partido
sem sal e sem graça

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Imagens Reais De Um Olho Torto


Contemplando As Margens brilhantes (AG, 2010)

domingo, 10 de outubro de 2010

Num Dia Dez

Mais uma vez vou espalhar sinceridade
todos os meios já me tem
pra escrever de saudade

Saudade é comida
é bebida
é som
e sentido

Saudade é o prato que a gente come quente
pára nas tripas de repente
parece querer voltar

Saudade é a água que se bebe pelo olho
é o igual tão diferente
e a constante a variar

Saudade é o som que sai do céu sem ser ouvido
um sussuro e um rugido
que não deixa descansar

Saudade é o nome que completa os sentidos
não pode nem ser traduzido
pois só é comprendido
por quem sabe o que é gostar

sábado, 9 de outubro de 2010

Num dia Nove

Um dia desses eu morri
e o que vi não era luz
já faz um tempo que parti
em dois
pedaços
iguais

De nada adiantou fingir
que era um pouco de nós
que precisava seguir
em frente
contente
a sós

Pois eu ainda descanso aqui
vagando entre os espaços
vazios
tão frios
dos teus lençóis

O dia esse que eu morri
quebrei
sumi
lembrei
de quando eu eramos nós