sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Um Calabouço Pintado de Cinza

Entre quatro paredes as coisas acontecem
sem as aberturas o escuro aquece
entre quatro paredes tudo se esquece
menos desse caos

Entre quatro paredes dessa pedra fria
entre quatro sementes dessa cor vazia
entre quatro serpentes vira covardia
todo dia vira noite e a noite é uma só

Entre quatro paredes o riso emudece
entre tantos iguais com nada se parece
entre novos meios os velhos se entristecem
entre quatro paredes só se come pó

Do lado de fora tudo é colorido
mas por dentro o som não é mais refletido
gemendo ao vento a solidão do seu abrigo
mesmo ferido ouve o corpo dizer
entre quatro paredes entre sem bater

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