sábado, 31 de dezembro de 2011

Pra terminar mais um: pra ti!

A sorte te cai tão bem
embora se precise de um azar
também

Viver te faz melhor
embora por vezes
seja preciso morrer
pra rebrotar

Dormir num sonho bom
daqueles que não se quer
mais acordar

Passar um ano inteiro
combinando fórmulas
e cálculos complexos
pra dizer

Que a sorte te cai tão bem
E viver te faz melhor
Dormir num sonho bom
que nunca sonhas só
arranjo o que posso
pra ajudar no teu querer

Assim como me fez
tão bem
também

        ---------------

Buenas, gurizada, cabou-se o Ano. 
Um abraço forte em todos os que passaram por aqui ao longo deste tempo. Deixo, humildemente, um "conselho" - que nem tem a pretensão de ser um conselho, mais uma dica mesmo - aos malucos que encontram algum fundamento nos versos desse Pedaço do Espaço: não tenham medo nem vergonha do que se sente. Gostem até gastar, se iludam, sonhem, sofram, morram e vivam. Façam as pessoas que são importantes se sentirem importantes. Nada é definitivo e nada é infinito: toda estrada tem um final, e o final de uma é o começo de outra. Já diria Fernando Sabino "No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim."


Só quem não tem medo dos sentimentos consegue ser feliz de verdade!
Um bom ano a todos nós!









sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Samba do Bomfim

Não precisa naufragar
tem terra firme nesse mar
nem é tão longe assim
não duvida do Bomfim,
não duvida

O Bomfim pediu pra ir
foi rumando sem se despedir
disse que estava de partida

- já que ninguém se anima
me vou,
não duvida de mim
não duvida -

E fez dum barco de pano
um plano pra atravessar
nem as rodas do oceano
conseguem segurar

Mesmo que esteja tão ruim
acredita no Bomfim
no final há sempre de ser
bem bom

Nêga, não duvida do Bomfim
mesmo que seja tão ruim  
o final pra gente há de ser
bem bom

sábado, 17 de dezembro de 2011

Chá de Sumiço

Ferveu a água
saiu fumaça
pode servir

Abriu com modos
a embalagem
pra não perder
nenhum grão

Põe na caneca
espera um pouco
esfriar

Pra mim, três colheradas
de açúcar
pra desamargurar

Chá de sumiço
quase sempre
eu preciso







domingo, 11 de dezembro de 2011

Plantação

O desafio não é  colher as melhores memórias da lavoura
o desafio é replantar memórias tão boas
quanto as que já estão aqui






sábado, 3 de dezembro de 2011

Eu Prefiro

Eu prefiro ser espaço
carregar muitos abraços
do que ser um sol nublado
ou uma noite desluada

Eu prefiro ser saudade
ser abrigo, ser vontade
do que ser uma estrada
que não dá pra atravessar

Eu prefiro ser só estrela
eu prefiro meu brilho constante
do que uma galáxia inteira
reluzindo num céu tão distante

Eu prefiro que me alcançe
eu prefiro que me encante
eu prefiro que aconteça
eu prefiro que me assuste

Eu prefiro gostar do meu jeito
imperfeito e tão apegado
eu prefiro um amor e um veneno
caminhar com a incerteza do lado

Quero a felicidade da loucura
e insandecidamente te amar
eu prefiro a incostancia
da tua tripolaridade
eu prefiro ser caminho
eu prefiro te plantar

E ver as tuas flores por ai
e ter as tuas flores no quintal
eu sugiro deixar tudo pra depois
eu prefiro o meu mundo desigual

domingo, 27 de novembro de 2011

Oração Aos Faróis

Farol
guiai os naufragados
extropiados à deriva
perdidos na noite nublada
clareados pela lua minguada
e com a alma encharcada
de sol


Donde brilha
tua mirada
fecho os olhos
e te sigo
sem temer
por nada

Queridos Amigos

Foi bom te encontrar
nesse canto cinza da praça
de costas pro vento
faz tanto tempo
que a gente não ria
de graça

Lembra lá das canções?
dos sonhos e do sono perdido?
lembra dos amores?
e das tentações?
das dores e do proibido?

Foi tão bom te encontrar aqui
fazia horas
que eu queria te ver
pra lembrar daquele verão
daquele vinho
de tantos amigos

E aquela madrugada então?
e da conversa fiada?
como não lembrar...

Vem aqui
vem, me abraça
só pra ver se o tempo passa
mais devagar

Foi tão bom te encontrar aqui
fazia horas
que eu queria dizer
que às vezes até esqueço
do endereço
mas sempre lembro de ti


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Letra à espera dos arremates finais da srta Nikita!
Dedicada aos amigos de sempre, são eles que deixam as melhores lembranças pra gente!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Endereço

Cada verso aqui contido
tem endereço certo
tem destino

Uns pra longe
outros pra perto
e todos cobertos
de desatino







terça-feira, 15 de novembro de 2011

Exatidão

Bem que eu queria
a sorte de um dia
sem tanta exatidão
sem tanta certeza
de pra onde a correnteza
leva essa embarcação


Mares turbulentos
afogam os pensamentos
em ilusão

sábado, 5 de novembro de 2011

Romanceiro

Meu corpo fez aguado no florido do teu rosto
que reponta na garoa das memórias minhas
o gosto desse sonho em chão de pasto molhado
é de um amargo doce entardecer pela coxilha

Geada de primavera dentro da tapera
que se levanta sempre que daqui te lembro
e vejo um sol poente esparramando fogo
de novo amanseando o  verso romanceiro

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Canteiro de Barro

Trouxe o peso das folhas caídas
das vidas passadas
das sementes plantadas
e do jeito esquisito de dizer tchau


Foi o vento, Margarida
quem levou tua terra macia
e deixou essas pedras de sal


Recolhe tudo de uma vez
o sol vai se pôr daqui a pouco
o Girassol vai dormir, talvez...
ou talvez te fazer sombra
pra assombrar o louco
que te fez

No teu canteiro de barro sovado
enfeitado de Açucenas cantantes
chove sem avisar
quando tem luar minguante

Foi o vento, Margarida
quem marcou essa ferida
na tua raíz

Esse pranto carregado
de verso, abandono e dor
deixou teu caule atrofiado

Mas ouve o ditado
do Cravo ao lado
que sempre diz:
só o tempo,
cara flor,
apaga cicatriz

sábado, 22 de outubro de 2011

Sangrador

O silêncio
submetido
é um sangrador
ensandecido
com fome
de sangue
e dor

Ao silênciador
as delícias
do sadismo
ao silenciado
as carícias
do desamor

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Desapego

Desapego
pro peito

Pro corpo
sossegar

Pro amanseio
da mente

É pertinente
desapegar

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Se Precisar, Tem! Mas Não Espera o Dia Acontecer!

Se precisar
de equilíbrio
desequilibrado
se procurar
por um abraço
meio desajeitado
se faltar
caminho
tem alguns atalhos
por aqui

Não espera
a noite terminar
vem correndo
dá um jeito
de me achar

Eu tenho a solução
ou a solução me tem
conheço bem a cura
de quase todos os males
menos dos que me contém
é tudo resolvível
no meu método
infalível
de problematizar

Não espera
o dia acontecer
quando esgota
a cota
me faço de nuvem
e sem ninguém perceber
viro ar

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Engrenagens Que Fabricam Sonhos

As engrenagens se regulam
se ajeitam sobre sonhos em movimento
descrevem num gingar cadente
maneiras de abraçar o tempo
que não passa despercebido
nos tantos ajustes dessa engenharia
com parafusos pintados de esperança
e os pinos todos moldados em alegria


E as engrenagens engrenaram
e mostraram, de novo:
tudo que se sonha
também se fabrica!

É assim que funciona
pra quem acredita













segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sul-Riograndese, de Todas as Espécies!

Encilha teu cavalo
que eu pego a bicicleta
vai puxando uma prosa
que eu já entro com a conversa
faz um péla-língua dos bueno
que eu ponho um pouco de água-fria
dá-lhe um "dê-lhe gaita, gaiteiro!"
enquanto meu violão não desafina

Canta uns versos  de carinho,
praquela xirúa mui linda
que não te deixo cantar sozinho,
também gosto daquela guria
Me conta da lida lá no pago
enquanto eu lembro do meu quarto bagunçado
ajeita o jeito dessa pilcha, Maragato
que eu ajeito meu all-star todo furado

Me solta um tchê, mas tá loco de especial!
que eu digo cara, pode crê, que animal!

Não é preciso ser ginete,
nem peão de respeito
pra ter o Rio Grande velho
no sangue, na alma e no peito!!!!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Quem se importa
com a boca torta
ou o peito partido?
Nem pergunta
se a resposta
te dói no ouvido!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Perdido

Quanto mais queria
Encontrar a saída
Mais se perdia
Nesse labirinto oco
Sem saída, nem entrada

Como bem disse Clarisse:
"Perder-se também é caminho!"
E perdeu-se sozinho
Pela própria estrada


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Centézimo Segredo

Tem um caminhão de segredos escondidos nesses versos todos.
Pra descobrir é só não olhar o que eles dizem, mas o que querem dizer!
Tem chegadas, tem partidas, começos, meios e recomeços.
Tem esperança, desilusão, vontades, saudades...
Tem uma tentativa meio maluca de confortar, de ajudar, de mudar rumos.
Tentar criar caminhos, fazer pensar um pouquinho.
Tem lembranças legais, histórias e estórias.
Tem o que eu vejo, o que eu sinto e o que eu tento entender.
Os dias bons e os nem tanto, os entediantes e os apaixonantes.
E é sempre uma exposição meio brutal, as vísceras à mostra.
Isso aqui é um estribuchamento emocional, isso sim.
E sempre bate aquela coisa: vale? valeu? vai valer?
Se em algum verso, alguma vírgula que seja,
consegui tirar qualquer reação - entre uma gargalhada e um choro compulsivo -
de quem leu, então valeu, valeu mesmo!
Por vezes, esse Pedaço é a única voz que chega em quem não quer ouvir.
Ou não pode, ou sei lá, é surdo (brincadeira).
Então vai valer, concerteza que vai.
O dia que deixar de valer, fecha-se o boteco.
Mas os segredos ficam, e ai estão, atráz de cada linha.


Postagem 100

domingo, 4 de setembro de 2011

Depois do Acaso, Sobrou o Papel

Depender do acaso
é muito perigoso
e muito arriscado
gostar do jeito errado
escalar o poço
é muito arriscado
e muito perigoso

O acaso trouxe uma estação
e não era o verão
nem a primavera
era o inverno
um tanto rigoroso
ensopado de sol
mas muito perigoso

Num pedaço de janela
não se via o todo
abriu a perciana
deu sorrindo um abraço
e  convidou de novo
e convidou de novo
e isso é arriscado
e muito perigoso

E dependeu do acaso
jogou jogo jogado
e isso é arriscado
e muito perigoso

sábado, 3 de setembro de 2011

Vazio

Silenciosamente calmo
era o som do que pensava
um relógio que marcava
as horas ao contrário
tac tic
tac tic
tac tic
e não trocava o passo
e sempre se apagava
a ponta do pavio
e o silêncio não passava

Haja paciência
pra tanto vazio

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sobre Erros, Defeitos e Espinhos - no final dos caminhos tudo vai recomeçar!

Todo mundo tem defeito de fabricação
mesmo quem nasceu perfeito
não tem jeito

Todo mundo faz cacaca na vida
ou já fez, ou vai fazer
não adianta
é assim que tem que ser

É sempre dificil seguir em frente
especialmente, ou também
quando a gente não tem
muita coisa pra seguir

Calma, não há de ser nada:
uns aprendem com as flores
outros com os espinhos
mas no final dos caminhos
tudo vai recomeçar

Sempre recomeça
e concerta, ao menos, o caminhar

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Complexivamente

És uma pessoa simples?
Mesmo?
Pois não sejas:
a simplicidade é pras amebas!

Ser gente é ser complexo,
multi-celular
multi-queredor
multi-pensante

Complica
retruca
deseja
afirma
desmente
confunde
inquieta
nunca, mas nunca,
explica

Deixa a simplicidade pras amebas!
Seja a própria metamorfose ambulante!!
Muda de idéia
inventa caminhos
e carinhos improváveis

Não tenta entender:
ninguém entende

Não seja simples
seja complexo
deixa de ser menos bicho
e vira mais gente





domingo, 7 de agosto de 2011

Máquina do Tempo

Se eu tivesse uma máquina do tempo
não iria pra frente, possivelmente
voltaria
pros tempos em que a saudade
por maior que fosse
durava o instante de um abraço

E um abraço durava pra sempre
o sempre dos abraçados
que, efetivamente,
chegava a pender pro eterno
enquanto durava

Numa máquina do tempo
eu voltava
não sei bem pra quando
ou pra onde
mas voltava
e não mudava nada
nadinha
nem uma gota, nem uma palavra
só voltava
e vivia de novo

E matava a saudade
num abraço
eterno.


"Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."
                        José Saramago

sábado, 23 de julho de 2011

Mínima & Máxima

Dia desses me perguntaram:
"o que queres da vida?"
remoí os miolos
custei, mas respondi:
Faz tanto tempo
que deixei de pensar
que esqueci!

Máxima & Mínima

Tem coisa que não se explica
só se sente.
Tem regra que não se aplica
só se mede.

domingo, 17 de julho de 2011

Mundo Invisível

Pode fechar os olhos
lá não precisa enxergar
no mundo invisível
não tem o que se olhar
só sentir

Pode poupar o ar
lá também não precisa respirar
lá o alimento é a compreensão
das estripulias dos nossos rumos
é só deixar
a explicação de tudo fluir

Pode interromper o caminhar
lá não se caminha
se voa
lá não se sangra
não tem relógio
a água é pura
e por mais alto que se vá
não se pode cair

O mundo invisível,
dizem as más linguas,
é a cozinha dos malucos!
Pois sabes que eu,
vez que outra,
me mando pra lá?!
e tu?
gostarias de tentar?

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Motim

Isso é um motim
me rebelei desse silêncio
sem fim
dessa linha fria
cozendo os quereres
em banho-maria
até que se afogue tudo
inclusive a mim

Pois dane-se
desengane-se
desarme-se
propaga esse berro:
Isso é um motim

Jogue-se o Capitão
aos tubarões
e vamos nós
assumir a embarcação

Chega dessa mudez
deu dessa esquisitice
velas rumo aos sonhos
seja lá onde isso fique

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Velho

E esse bendito tempo que não para nem pra tomar um café?

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Parei

Tipo um poço que seca,
secou o poço.
Até que a água volte...
parei!

Outra hora a gente se cruza
tudo é possível e nada é provável

Parei! O poço secou!

domingo, 29 de maio de 2011

O Sol dos Viajantes

Viajante, olha adiante
descansando no horizonte
desce o sol de todo dia
sombreando os caminhantes

Escondendo seus contornos
entre os muros da cidade
escurecendo os entornos
de um fim de tarde

Traz com ele o sereno
as lembranças de outros tempos
das tantas caminhadas
de verão e de inverno

Corre contra teu inverso
decide, enquanto a luz esvazia
agora já não mais te aquece
como antes aquecia

Viajante, pensa um instante
ou segue em frente
ou vai embora
ou pede socorro

Viajante, não se espante
hoje escurece
amanhã amanhece
de novo

E assim é sempre
sempre

sábado, 21 de maio de 2011

Manual de Instruções (Como Dizer Alguma Coisa Sem Dizer Nada)

Vagão de carga vazia
bolha de sabão na ventania
boca de fogão fria
assombração na luz do dia

não passa da porta
de tanta confusão
empastelou a vida!

e agora? quem desata
a corda que amarra
o guia de instruções
do controle dos botões
da fina sintonia?

domingo, 15 de maio de 2011

Ziguezagueador

Escuta com atenção
o que diz a viração
não te distrai
sai da ilusão
sente o que o vento te tráz
olha bem
cuida o céu
mudando de cor
aquele cinza na nuvem
é chuva que vem
ou é só
alguma outra estação

Pode ser
outro tipo de nó
quem sabe outra dimensão
mas ouve bem
com cuidado
o vento cantando calado
"só pra quem
vai eu espero
quando eu trago
se prende
nas rédeas finas de vapor
pra quem fica
eu aceno
rasgo frio e sereno
no meu passo apressado
ziguezagueador"

Zigue
zague
ador

Escuta com atenção
o que diz a viração
não te distrai
nunca
nem com esse calor

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Hotel Viva A Vida

sobrevive do que tem em volta
do que sobrou de mim
num amor mal acabado
num aperto de canto sem ninguém ao lado

sorri sem dizer palavra
sorrir as vezes soa como sim.
simples pra seguir em frente
diante de mim a porta fecha, mas a rua é larga

soprou um vento que não empurra, só abraça
o dia que segue calmo
e a noite vem escura
chuveu solidão por todos os bancos da praça


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Ganhei de presente o privilégio de postar as primeiras linhas de uma das pessoas mais talentosas que conheço: Marcela, pra nós; Marcela Mescalina, pro mundo. Aqui, sempre que a autora permitir, será um breve repouso de, esperamos nós leitores, muitos outros versos que fatalmente ganharão vida naquele vozeirão da dita cuja. Contudo, reforço o breve, pois ainda tenho fé que chegará o dia em que a autora seja benevolente com seus fãns e crie um blog próprio só com material dela. E de preferência ainda nessa vida, vá que na próxima não exista internet!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

2 7 . 0 4

Todos os dias
são passíveis de reflexão
mas essa noite
não

vinte e sete...
um dia que me bota pra pensar
no que foi, no que é, e no que virá

o que vem?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Auspício

as novas sementes
germinando nessa terra revirada
e encharcada de sonhos
dentro desse côco quase ôco
que tenta se mostrar
florescem cada vez mais depressa
adubadas por um rastro colorido
de uma borboleta nova,
com o chão e as nuvens
nas asas,
que resolveu visitar
esses pedaços enfeitados

Cara visitante:

sirva-se com o que quiser,
volte quando der vontade,
avisa, se sentir saudade,
e seja sempre bem-vinda,
nesse humilde labirinto
ha bem pouco replantado.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Negra

terça-feira, 12 de abril de 2011

Moscas em Abril

Abril
a boca
soprou
pra longe
a mosca
zumbizando
no ouvido
mas,
esperta,
voltou
depressa
e tudo
foi
engolido

domingo, 3 de abril de 2011

Acreditável

O Nunca, quase nunca, é nunca
O Sempre, quase sempre, nunca é sempre
Mas a gente finge que acredita neles
E ambos fingem que acreditam na gente

sábado, 26 de março de 2011

Indeletável

Sou a sombra indeletável
que vasculha teus sonhos
pode procurar
que me achas lá no fim
das memórias
Por que?
Por que eu vivo em ti
Sou indeletável, meu bem
nem é preciso tentar
inexcluível
inesquecível
por que eu sou os momentos bons
os carinhos
os colos
os dedos deslizantes
eu vivo em ti
sou indestrutível
enlouquecedor
nem tenta
por que eu vivo em ti
pode tentar
se quiseres
mas eu sou a sombra
que te beija
quando desejas
me riscar

quarta-feira, 23 de março de 2011

Don Quixote Esquizofrênico de Papel


Olha o que eu fiz
mira na minha lança
alcança o infinito, se quiser
e não quer

Prende o nariz
respira pelo olho
e me passa essa coroa de lata
que hoje eu sou o rei

hoje eu acabo com eles
não passa da próxima vez
seu moinho duma figa
ai de quem te fez

Não fujo não, seu dragão
sou de fibra e tinta
mas tenho coração
vem que tem, grandão

Aliás, falando em coração
dulcinéia, minha flor,
minha linda, meu amor...
vai ver se eu to esquina
me espera lá que eu já vou

segunda-feira, 14 de março de 2011

Trégua

A água molha
a água mata
a terra treme
a terra alaga
a gente geme
e pede trégua

O mundo não nos quer mais por aqui?
Ou nós que não queremos mais o mundo?

quinta-feira, 10 de março de 2011

A Marchinha da Arquibancada Vazia

E acabou-se o carnaval
a passarela esvaziou
deixou, na arquibancada vazia
atráz do mar das cadeiras coloridas
chorando um pierrô

A colombina que ele não viu
foi desfilar na multidão
de braços com o Arlequim
e assim foi mais um fim
do seu triste coração

A serpentina já se esgotou
e o confete desmanchou no ar
mas dizem que ele continua lá
esperando sentado
o seu amor voltar

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Equação pra Uma Quarta-Feira de Cinzas

As Quartas
que deixarem
tudo cinza
deveriam
pintar-se
de roxo
se vestir
de palhaço
e voar por ai
feito
serpentina

Quer saber o que eu sinto?
Me desvendar por inteiro?
É bem fácil...
sou complexo, mas verdadeiro
calculado em pedaço
equaciona
e me conta
o resultado


vm²+vd8+c2(A1+am5+rx1)vd2+a¹+r1+l4+vd8

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Chuva de Meteoros

Tomei um banho cósmico
numa galáxia distante
por onde o tempo escorre,
não corre
no oceano mágico
do espaço infinito
vai ressonando o grito
de cada bicho estrelar:

Deixa os meteoros te queimar
Deixa os meteoros desabar

na minha cabeça?
é...
pode ser que eu esqueça
da última estrela
que mudou de lugar

Deixa os meteoros te torrar
Deixa os meteoros te desintegrar

Pode deixar, talvez eu mereça
mas por via das dúvidas
trago o meu guarda-chuva
pra não me molhar

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Samba no Pé 2011

Camiseta da Escola de Samba Samba no Pé para o Carnaval 2011.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

No Ensaio

Cheiro de carne na brasa
calçada empoeirada
cadência ensaiada

Gente desinquienta
coreografia discreta
do vai e vem
que persiste

Nessas noites
até a cidade deserta
desperta
pra dizer
que também existe

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Porta-Bandeira

Roda os panos coloridos
conta toda história com teus giros
carrega contigo as estrelas
transforma, porta-bandeira
meu choro em riso

Escuta, tocou o sinal
daqui a pouco já é carnaval
começo pintado de pierrô
e viro mestre-sala
no final

domingo, 30 de janeiro de 2011

Passo

O passo tem outro compasso
pros dias, pras noites, pra tudo
quando o tempo passa diferente

Eu passo pelos milésimos
e centésimos de segundo
mas não passo pela gente

sábado, 29 de janeiro de 2011

Não enche!

Sai de dentro desse mundo
feito doido varrido
vai te catar
e me deixa quieto
no meu verso doído

Não me torra a paciência
pelo que não é teu
Que coisa!
Endoideceu?

Vai pular noutro poço
sem corda e sem fundo
e vê se não enche
que esse espinho
é só meu

domingo, 23 de janeiro de 2011

Marcas

* Tchê Lanches, 2011 - Criado p/ Odete Rosado


* Jack Excursões, 2011 - Criado para a Professora Jaqueline Ioost

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Algumas marcas saindo da fornalha!!! Em breve compartilho aqui alguns projetos muito legais que tenho tido o imenso prazer de participar.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O Primeiro Domingo (E o coitado se afogou...)

Se afogou o coitado
meio torto e desconcertado
com a situação que se fez
era um domingo
desses de temporal
o vento levantava o sal
da terra e do céu
e as fórmulas das nuvens
criavam desenhos conhecidos
enquanto os versos eram traduzidos
num cantinho de papel
do final do último caderno velho
"My son, ask for thyself another kingdom,
For that which I leave is too small for thee"*
e o coitado se afogava
com o sorriso dela

e não é que
até a luz foi-se embora
mas eles se divertem
até com as sombras das velas
era tudo novidade
as cartas, os risos, a janta
o domingo e até o amor
e o coitado se afogou
com um osso de galinha
ou foi um grão de arroz?

Não importa
hoje ele conta e acha graça
soluçando de saudade
desse dia que passou
mas que recomeça
de verdade
todo domingo
que ele lembra
que já faz tanto tempo
e que esse tempo
se acabou

E o coitado se afogou
de novo...
só que agora
na saudade

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* Trecho da música "Alexander The Great" do Maiden

sábado, 1 de janeiro de 2011

Constatações

Escrever quando não se está triste é meio como ir ao banheiro com prisão de ventre. As vezes até dá vontade, mas geralmente não sai nada!
E o pior: tenho escrito muito ultimamente!!!!

Que merda...