segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sul-Riograndese, de Todas as Espécies!

Encilha teu cavalo
que eu pego a bicicleta
vai puxando uma prosa
que eu já entro com a conversa
faz um péla-língua dos bueno
que eu ponho um pouco de água-fria
dá-lhe um "dê-lhe gaita, gaiteiro!"
enquanto meu violão não desafina

Canta uns versos  de carinho,
praquela xirúa mui linda
que não te deixo cantar sozinho,
também gosto daquela guria
Me conta da lida lá no pago
enquanto eu lembro do meu quarto bagunçado
ajeita o jeito dessa pilcha, Maragato
que eu ajeito meu all-star todo furado

Me solta um tchê, mas tá loco de especial!
que eu digo cara, pode crê, que animal!

Não é preciso ser ginete,
nem peão de respeito
pra ter o Rio Grande velho
no sangue, na alma e no peito!!!!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Quem se importa
com a boca torta
ou o peito partido?
Nem pergunta
se a resposta
te dói no ouvido!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Perdido

Quanto mais queria
Encontrar a saída
Mais se perdia
Nesse labirinto oco
Sem saída, nem entrada

Como bem disse Clarisse:
"Perder-se também é caminho!"
E perdeu-se sozinho
Pela própria estrada


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Centézimo Segredo

Tem um caminhão de segredos escondidos nesses versos todos.
Pra descobrir é só não olhar o que eles dizem, mas o que querem dizer!
Tem chegadas, tem partidas, começos, meios e recomeços.
Tem esperança, desilusão, vontades, saudades...
Tem uma tentativa meio maluca de confortar, de ajudar, de mudar rumos.
Tentar criar caminhos, fazer pensar um pouquinho.
Tem lembranças legais, histórias e estórias.
Tem o que eu vejo, o que eu sinto e o que eu tento entender.
Os dias bons e os nem tanto, os entediantes e os apaixonantes.
E é sempre uma exposição meio brutal, as vísceras à mostra.
Isso aqui é um estribuchamento emocional, isso sim.
E sempre bate aquela coisa: vale? valeu? vai valer?
Se em algum verso, alguma vírgula que seja,
consegui tirar qualquer reação - entre uma gargalhada e um choro compulsivo -
de quem leu, então valeu, valeu mesmo!
Por vezes, esse Pedaço é a única voz que chega em quem não quer ouvir.
Ou não pode, ou sei lá, é surdo (brincadeira).
Então vai valer, concerteza que vai.
O dia que deixar de valer, fecha-se o boteco.
Mas os segredos ficam, e ai estão, atráz de cada linha.


Postagem 100

domingo, 4 de setembro de 2011

Depois do Acaso, Sobrou o Papel

Depender do acaso
é muito perigoso
e muito arriscado
gostar do jeito errado
escalar o poço
é muito arriscado
e muito perigoso

O acaso trouxe uma estação
e não era o verão
nem a primavera
era o inverno
um tanto rigoroso
ensopado de sol
mas muito perigoso

Num pedaço de janela
não se via o todo
abriu a perciana
deu sorrindo um abraço
e  convidou de novo
e convidou de novo
e isso é arriscado
e muito perigoso

E dependeu do acaso
jogou jogo jogado
e isso é arriscado
e muito perigoso

sábado, 3 de setembro de 2011

Vazio

Silenciosamente calmo
era o som do que pensava
um relógio que marcava
as horas ao contrário
tac tic
tac tic
tac tic
e não trocava o passo
e sempre se apagava
a ponta do pavio
e o silêncio não passava

Haja paciência
pra tanto vazio