domingo, 30 de dezembro de 2012

Última Rima



Outro domingo,  outro sentido
Tanto apego, tantas juras que ficaram pelo meio
Outro destino e um desatino sem explicação
Nunca se entende por inteiro
Quando assunta o coração

                    . . .
Um bom Ano a todos nós!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Cada Um (Versos da Saudade que se achega)

Cada um mede a distancia
que separa uma saudade
dois palmo e meio de lonjura
do chapéu ao coração

Cada um sabe a importancia
que se tem um sentimento
num verso pra cada momento
ajeitou-se uma canção

Cada um exerce o amor
da maneira que consegue
por isso tem os que vivem
os que se acham
e os que se perdem

Mas pra contar tudo isso
pra dizer o que se sente
quando a saudade aperta
tem que ter os escrevente

Se achando pelos versos
cada um sabe mui bem
mesmo que se apeie da saudade
outra se achega e já se vem

domingo, 28 de outubro de 2012

Bússola Madrugueira

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Olha bem, já nem sei como me oriento
a cada trote descampado contra o vento
aumenta a ânsia de pousar no teu encosto
daqui me largo, desgarrar do abandono

Encolho o peito à procura de um abrigo
sossego o facho se me acho no perigo
praquele aperto que judia não me entrego
quando me toma te faço dona do meu verso

Mas olha bem, me fui atrás do teu abraço
talhando trilhas escondidas sobre o pasto
deixei de rastro mil migalhas madrugueiras
caso me perca sigo o rumo das estrelas

Olha bem, já nem sei como me oriento
a cada trote descampado contra o vento
aumenta a ânsia de pousar no teu encosto
daqui me largo, desgarrar do abandono

Deixa que o tempo se encarregue dos recuerdos
não me incomodo de vagar sem direção
vem na garupa a vontade do teu beijo
e o destino bordado no coração

Mas olha bem, me fui atrás do teu abraço
talhando trilhas escondidas sobre o pasto
deixei de rastro mil migalhas madrugueiras
caso me perca sigo o rumo das estrelas


Se por ventura te perderes, 
segue o rastro que o céu aponta
essa saudade que desponta do teu peito desinquieto
também desamanseia a noite e o dia
de quem fica recordando sonhos, 
remoendo num matear tristonho 
o vazio do nosso pago

No floreio de um abraço à ventania
segue firme, no teu passo camperiado
pelo costeado do rincão que nos separa,
mesmo quando esse chão se faz encruzilhada
qualquer estrada te traz com o vento 
de volta pro meu lado

Mas olha bem, me fui atrás do teu abraço
talhando trilhas escondidas sobre o pasto
deixei de rastro mil migalhas madrugueiras
caso me perca sigo o rumo das estrelas

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Música finalista do 4º Expocanto da Canção Gaúcha de Arroio Grande, em parceria com Miguel Vidal, Katherine Hernandorena, Maicon Paiva, Mateus Vidal e Sidney Bretanha.
 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Paraquedas

Pouco importa a ventania
te empurrando para os lados
toda noite termina em dia
todo nó termina em laço

A estrada mais segura
nunca é a mais usada
toda sorte que não dura
perdura até ser desnecessária

O que diabos eu quero dizer com isso?
nada de anormal, só constatação:
se estiveres em queda-livre
despencando na imensidão
não te assusta 
"Tiengo um paraquedas para te salvar
Porque trago un paraquedas en mi corazon
"*




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* Citação de "Rodando El Mundo" (Wander Wildner)

domingo, 7 de outubro de 2012

Correnteza

Parando pra pensar:
entre uma dúzia de dúvidas,
e uma centena de quase certezas,
sinto que essa correnteza
tem levado
o meu barco
pro teu mar

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Por onde eu for

Risquei um coração
na beirada da janela
embaçada do meu vapor
pra dizer que, no fim
sempre consigo
mesmo assim
eu, aqui pra ti
tu, ai pra mim

te levar comigo
por onde eu for

sábado, 21 de julho de 2012

Memórias Duplas de Água com Açúcar

Tinha duas memórias boas
dessas de se perder na curva
pra uma eu era Chuva
pra outra era Garoa

E, como eu sempre dizia
não, não foi à toa
pra uma fui Oceano
pra outra fui Lagoa

E ambas me são bens
com ambas o vento voa

Sempre que me perco
elas me lembram
que não foi à toa

pra uma fui Cais
pra outra fui Canoa

domingo, 8 de julho de 2012

Enquanto Dormimos

A noite me interessa mais que o dia
queria mais estrelas pra contar
o corpo se transforma em avenida
pros sonhos transitarem sem parar

A noite me interessa mais que o dia
queria espalhar o que inventei
juntei todas as flores que podia
plantei nas minhas terras, e te dei

A noite me interessa mais que o dia
é nela que aparecem tuas cores
e mesmo quando não há mais saída
dormir faz esquecer todas as dores

                          ...

(Um corpo que envelhece a cada ano
uma mente que se liberta a cada dia!)

domingo, 3 de junho de 2012

Poliglotagem

Tentei te traduzir
da única maneira que sabia:
mapeando com cuidado
tantas linhas
nem tão retas, nem tão curvas


E mesmo assim
- mantendo uma distância segura -
não me segura tanto, não
te traduzo até o fim

Essa língua,
já não é mais a minha
- fala em outro riscado -
mas quem já rimou nessa rima
sabe bem o fraseado

Tanto faz, pra mim
o tipo de latim
que te codificar
a memória
- de Mamute Siberiano -
não tem engodo, nem engano
do que eu li, não esqueço
e conheço de cor,
e salteado

terça-feira, 29 de maio de 2012

Confraria do Cão (Um Dia de Fúria)

Saiu dizendo por aí
que era de fina linhagem
que sempre falava a verdade
sacanagem, meu bem
sacanagem

Caiu de um altar rente ao chão
dizia-se infinito, de vida e de sorte
mas que nada, era baita azarão
aviso, antes de ofertar o coração:
é um tremendo cuspidor
de bobagens

Ah, o que chamam de amor...
não é sentimento, nem nada
é coisa do cão, é coisa do cão

Sai pra lá, ô...
deixa um fim presse querer!



Hoje é assim,
amanhã, vai saber!

domingo, 13 de maio de 2012

E Vice-Versa

Cada vez é mais difícil
cada dia é mais estranho
pára de apertar a minha calma
pára de debochar da minha vontade
deixa a ilusão me abraçar
por algumas horinhas que seja
me deixa cantarolar, desafinadamente
que tudo se ajeita
no final tudo se ajeita

Deixa eu te dizer uma coisa
ainda que não faça sentido:
quem passa, é ferro-de-passar
no meu jeito de gostar
nada passa, só se acomoda
e fica ali, espremido
entre a costela e o pulmão

O importante no fim das contas
é sempre entender
o que tiver pra se entender
mas entender, definitivamente
não é deixar de querer,
ora bolas

E vice-versa
e no verso tem um coração

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A Música da Galáxia

Partiu um raio daqui
tentando encontrar
tua estrela
sabe-se lá
em qual planeta caiu
mas vai te encontrar
uma hora dessas
levando às pressas
um recado energizado
pelo fluxo temporal:

Por essas bandas
o tempo corre
em circulos
atrás do teu
abraço sideral


E,
ouvindo a música
da galáxia
que diz
insistentemente
no meu ouvido cósmico

Love hurts,
love scars,
love wounds,
and most


Eu lanço meus quereres
por todo espaço
e percorro
tantos anos-luz
que retorno
pra outro hoje
perdido
em alguma fenda
espacial

I really learned a lot, really learned a lot
Love is like a flame it burns you when it's hot
Love hurts, oh, oh, love hurts...


...tocava sem parar
na vitrola das estrelas

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Frases que já fizeram sentido

Mesmo que às vezes os nossos opostos pareçam maiores do que realmente são, no final eles sempre se atraem!
 de Mim Mesmo
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Catei essa de um e-mail do tempo do Ariri Gambeta!!!! Na época fazia sentido, hoje nem tanto assim, mas...tem sua lógica, não tem?

domingo, 8 de abril de 2012

Bungee-Jumping

Jogou-se de uma altura infinita
gritando com toda força
saudade seja bem-vinda
pro teu espaço
não existe um chão


E ás vezes planava
às vezes só caía
noutras tantas, pensava
onde foram parar
as benditas asas?

Faz de conta que não sabe
e vai caindo em paz, até o fim
é melhor que não suspeitem
que não é por não ter asas
que desces assim
mas por ter coração

sábado, 17 de março de 2012

Cartas

Difícil dizer
o que vai ser
quando o que se tem
é um vazio bem borocochô
uma Coca-Cola sem gás
pra tomar

Cada vez mais
as gavetas pesam mais
não as gavetas em si,
mas o que elas contém:
as cartas!

Bah, essas cartas...
apesar de conversarem
tão bem
bem que podiam,
ás vezes, ao menos,
dizerem outras coisas
pra variar

Tá, tudo bem,
ninguém é um pedaço de papel
mas, penso eu,
num pedaço de papel
muito de nós tem

Por isso
também
todas as cartas
todas
se acomodam
nas gavetas
daqui de dentro

E quanta vontade que dá
de ler

 

sábado, 3 de março de 2012

Dia de Mar

A gente aprende a esperar
até que se acalme
o mar

A gente aprende a navegar
sopre o vento
que soprar

Boiei à deriva nos mares
vazou meu submarino
azul

Nadei por algumas saudades
mas deixa assim...
tem muita onda
mas ninguém se perde
no fim

A gente aprende a desafogar
- vai por mim -

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Eu passei pra dizer que vou voltar

E vai que dá certo
dessa vez
(não custa tentar)
e vai que encaixa
no lugar
(vai saber)

Nem esquenta
com o tempo que passou
eu passei
pra dizer que vou voltar
pro lugar
que nunca deixei
nem me deixou

Mas vai que dá certo
dessa vez
vai que a gente
acerte a mão

E quem vai dizer
que não?
ninguém sabe prever
meu coração
(nem o teu)
ninguém sabe prever
meu coração


Quando invade
toma conta
da sala
da cozinha
de toda construção

E é no quarto
que apronta
e vai que se ajeite
dessa vez
e vai que a gente
acerte a mão

Eu sei de hoje
deixa amanhã
pra quando chegar
e nem esquenta
com o tempo que passou
eu passei
pra dizer que vou voltar

Pro lugar
que nunca deixei
(nem me deixou)

pro lugar
que nunca deixei


          ...

Pras cores das Dolores!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Céu

O teu olhar
levou o meu
até as estrelas
mais distantes
do céu

Meu céu é o teu olhar

Foi mais além
do que podia eu
imaginar

Que alguém
pudesse levar
tão longe assim

Queria no teu céu voar

Virar o espaço
de pernas pro ar
suspenso na órbita
dos teus olhos

Flutuar
na gravidade
do quadrante ali adiante
desse sistema solar

Me deixa no espaço flutuar

Acomodo
esses olhos
como posso
dentro de mim

Como pode
caber tanto
infinito
assim?

O infinito num olhar

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A Luz do Andaluz (Segredos da Lua Constante)

Vagueia na sombra segura
na garupa traz alguns pedidos
e permeia por entre os entornos
dos lugarejos mais escondidos

Os seres da noite
na lua constante
assuntam segredos
que assustam os vagantes


Na costa do arroio vazio
encaranga de frio e de medo
na cruzada do olho de fogo
espantando demônios madrugueiros

Nas mãos o sinal da cruz
evocando o Andaluz aporreado
que dizem conceder desejos
a todo campeiro que lhe faz encilhado

Os seres da noite
na lua constante
assuntam segredos
que assustam os vagantes


Pede a liberdade de um sonhar
e um amor pra apaziguar o coração
pede pra saudade se encurtar
e qualquer luz pra se guiar na escuridão

 
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Sexta-Feira 13, Lua Cheia!

sábado, 7 de janeiro de 2012

Quando tudo passar

Posso nem ter
a melhor pontaria
nem todas as armas
que precisaria

Mas no fim da guerra
quem permanece sou eu

O corpo cambaleante
abalado das baladas
sobrevive
pra cuidar do teu

Posso nem ser
a melhor alternativa
mas em todos os dias
quem permanece sou eu

Talvez não consiga
alcançar tão longe
mas quando tudo se esconde
eu permaneço aqui

Quando tudo passar
- pode acreditar -
sou sempre eu
quem vai ficar
pra cuidar de ti