terça-feira, 29 de maio de 2012

Confraria do Cão (Um Dia de Fúria)

Saiu dizendo por aí
que era de fina linhagem
que sempre falava a verdade
sacanagem, meu bem
sacanagem

Caiu de um altar rente ao chão
dizia-se infinito, de vida e de sorte
mas que nada, era baita azarão
aviso, antes de ofertar o coração:
é um tremendo cuspidor
de bobagens

Ah, o que chamam de amor...
não é sentimento, nem nada
é coisa do cão, é coisa do cão

Sai pra lá, ô...
deixa um fim presse querer!



Hoje é assim,
amanhã, vai saber!

domingo, 13 de maio de 2012

E Vice-Versa

Cada vez é mais difícil
cada dia é mais estranho
pára de apertar a minha calma
pára de debochar da minha vontade
deixa a ilusão me abraçar
por algumas horinhas que seja
me deixa cantarolar, desafinadamente
que tudo se ajeita
no final tudo se ajeita

Deixa eu te dizer uma coisa
ainda que não faça sentido:
quem passa, é ferro-de-passar
no meu jeito de gostar
nada passa, só se acomoda
e fica ali, espremido
entre a costela e o pulmão

O importante no fim das contas
é sempre entender
o que tiver pra se entender
mas entender, definitivamente
não é deixar de querer,
ora bolas

E vice-versa
e no verso tem um coração